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 Lembranças Perdidas: O Abraço de Dean Scott

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AutorMensagem
Dean Scott

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Mensagens : 94
Data de inscrição : 19/04/2009

MensagemAssunto: Lembranças Perdidas: O Abraço de Dean Scott   Dom Maio 10, 2009 11:56 pm

Eu nasci no início do século XV, neste período a Europa passava por grandes mudanças. A Igreja aos poucos perdia seu poder absolutista e o homem passou a se redescobrir. Vivi em uma época de glória, nomeada pelos historiadores de Renascimento. Após tantos séculos vivendo no escuro, a ideologia Teocentrista pregada pela Igreja começou a ser questionada e o homem acabou adotando o pensamento Antropocentrista. Todos os conceitos formados em uma estrutura rígida, foram quebrados e novas idéias começavam em todas as áreas: Religião, Arte, Literatura, Arquitetura e principalmente Científica. A Igreja já não tinha controle do que estava acontecendo, suas teorias foram questionadas e muitas delas desmistificadas quebrando muitos tabus. Como vi acontecer ao Nicolau Copérnico quando formulou que a Terra não é o centro do Universo (geocentrismo) e sim o Sol (heliocentrismo).

Consegue perceber que fui concebido em um mundo que passava por grandes transformações e revoluções?
Abençoado com sangue da nobreza vivi toda minha infância rodeado por pessoas do mais alto escalão. Meu pai foi um grande proprietário de terra e um dos nobres mais respeitados de toda a Inglaterra, um dos poucos que ostentava o título de Lord Felippe Lancaster senhor das terras férteis e prósperas. Minha mãe Sophia Lancaster era uma exímia lady e possuía um dom fora do comum, uma bela e majestosa voz. Apesar de que, no pensamento da época, mulheres que cantavam em público eram má vistas e dignas de julgamento severo, no caso especial de minha mãe ela era uma das poucas exceções. Sua voz quando entoada em uma multidão era capaz de arrancar sentimentos incomuns aos ouvintes como: Fascínio, admiração, suspiros e principalmente o respeito.

Meu pai comparava a voz de minha mãe com as dos anjos celestes e dizia que, quando ele a ouvia cantar era como se os portões do Paraíso abrissem diante dele.
Ainda me recordo de uma das canções que ela costumava cantar todas as noites para mim:


“Dorme meu anjo
Sonha com Deus
Pois nestes braços vou te entregar
E sua alma ele irá guardar
Te amo! Te amo! Te amo!!!”


Era lindo ouvi-la cantar com tanto zelo, sua voz levava embora todos os meus tormentos, parecia que eu nadava em um oceano calmo e sereno.

A família de meu pai, os Lancaster, invejavam seu poder perante a sociedade naquele tempo.
Não demorou em que eu descobrisse o quão perigoso isso era...

Meus pais foram brutalmente assassinados diante dos meus olhos, meu tio Vladimir Lancaster, irmão mais velho de meu pai, foi o arquiteto do massacre. Minha vida só foi poupada naquela noite tempestuosa, porque meu tio não conseguiu “Dar fim a um garoto tão novinho!”. A culpa pelos assassinatos recaiu sobre um grupo de vassalos muito ligados ao meu pai.

E quanto a mim? Oficialmente fui dado como desaparecido e após alguns meses minha morte foi decretada perante toda sociedade. Como eu era o único herdeiro do império construído com tanto suor pelo meu pai, todos os seus bens e direitos, foram transferidos automaticamente para Vladimir.
Meu tio em posse de tudo o que era meu iniciou a ultima etapa do seu engenhoso e criminoso plano, pois ele ainda precisava se livrar de mim. Para poder realizar tal feito acabei sendo vendido como escravo a um homem que me atormentaria por toda a eternidade.

Eu tinha apenas oito anos quando o conheci...
Ludwig Nathaniel Von Hendrix foi um renomado artista que se destacou em sua época por esculpir formas masculinas e femininas perfeitas ao estilo clássico. Sua arte foi muito invejada e apreciada pelos artistas daquele tempo.
Nathaniel comprou a minha liberdade e me levou como se eu fosse uma espécie de mercadoria ou bichinho de estimação de ótima qualidade.

Os anos em que vivi ao seu lado foram experiências traumatizantes. Enquanto lá fora, para terceiros, Ludwig Nathaniel era conhecido e respeitado pela sua arte e devoção ao “belo”, sozinho e comigo ele se mostrava uma pessoa totalmente oposta. Na maior parte do seu tempo, Nathaniel me humilhava, era frio, insensível e fazia questão de deixar minha alto-estima lá embaixo. Apenas em ocasiões extremamente raras ele deixava transparecer um pouco do seu lado humano.

Eu tinha apenas dezesseis anos, quando ele se sentou ao meu lado na varanda da casa, colocou sua mão atrás de minha nuca e afagou meus cabelos carinhosamente dizendo: “Você quer se vingar não é mesmo?”.
Ainda me recordo da sensação de abalo que aquela pergunta me causou, mas não demorei muito a dizer “Sim, eu quero!”. Então seus lábios se contraíram em um sorriso satisfeito, e logo em seguida, Nathaniel me deixou solitário com meus pensamentos.

Havia uma pecurialidade em Nathaniel que me intrigava, era o fato dele sempre desaparecer durante o dia e retornava ao anoitecer. Uma vez tomei coragem para questionar o motivo da sua ausência e minha resposta foi um tapa na face.
Durante anos fiquei confinado dentro daquela casa, no meio do nada, sem ter nenhum tipo de contato externo. Poucas foram as noites que Nathaniel me convidou a caminhar ao seu lado, no fundo, sentia que aos poucos, ia perdendo minha sensibilidade e, numa tentativa desesperada, passava a maior parte das minhas noites cantando pela casa. Minha voz é doce como a de minha mãe, o que eu não esperava, era que Nathaniel ouvia minhas canções todas as noites.

Na madrugada do meu vigésimo aniversário, Nathaniel entrou em meu quarto, sentou ao meu lado na cama e disse: “Eu o vi cantar esta e muitas outras noites...”
Lembro apenas de ter fechado meus olhos esperando uma represália que não veio: “Confesso que fiquei fascinado pela sua bela voz...”
Aquela confissão foi algo inesperado, me deixou sem palavras: “Diga-me Daniel, o que pensas a respeito da Imortalidade?”
“Uma ilusão criada por egoístas que pensam poder forjar o processo arquitetado pelo Criador” respondi prontamente.
Nathaniel lançou-me um olhar penetrante capaz de ler cada centímetro da minha mente e alma, naquele momento, me senti completamente inferior.
“Para alguns este sonho pode ser humanamente impossível, mas para outros, esta teoria deverá ser reconsiderada”
“Não entendo!” Respondi confuso e ele prosseguiu.
“Ouça! Há neste mundo muitos mistérios que estão além da tua compreensão”.
“Por favor! Seja mais específico...”
“Encantei-me com tua voz Daniel, meu encanto foi a tal ponto que a desejo imortalizada”.
“E como pretende realizar este desejo?”.
“Simples! Tornarei vossa mercê imortal...”.
“Está louco?”.

Naquele momento Nathaniel permaneceu em silêncio, seus olhos focavam nos meus e sua expressão parecia tão séria e pensativa como se ele procurasse a melhor maneira de se expressar. Então ao encontrar uma resposta definitiva ele levantou da cama e ficou de costas para mim.

“Senhor...” murmurei.

Quando ele tornou a me encarar seus olhos haviam mudado, assumindo um aspecto assassino, ele abriu um sorriso e notei seus dentes caninos alongados numa forma não natural, sua aura estava muito poderosa e altiva do que o costume. Lembro do meu corpo estremecer com aquela visão, entrei imediatamente em pânico.

“O ... o ... O que é você?” perguntei me encolhendo no canto da cama.
“ Sou uma criatura agraciada com o poder da imortalidade Daniel. Sou o que alguns chamam de demônio da noite, vampiro, senhor das trevas e da escuridão ou qualquer outro nome que vocês humanos usam para se referir a minha pessoa.”

Minha mente racional custou a acreditar que aquilo estava acontecendo diante dos meus olhos. Nathaniel se deliciava com minha confusão e não hesitou em continuar:
“ Eu tenho aproximadamente duzentos anos de existência Daniel, você já deve imaginar o que isto significa? Imortalidade!!!”
“Pai nosso que estais no céu...”
“Não adianta rezar para teu Deus, Daniel. Isso não o ajudará em nada, tu serás minha cria querendo ou não”.
E ele caminhou em minha direção, não pensei duas vezes, pulei fora da cama em uma tentativa desesperada de fugir do meu destino. Como era de se esperar minha tentativa mostrou-se inútil quando senti as mãos gélidas de Nathaniel agarrar meu pulso impedindo qualquer plano de fuga que eu tivesse.
“Não adianta fugir do seu destino Daniel...”
Nathaniel me lançou no chão e ficou por cima de mim, suas coxas prendiam minhas pernas tornando-as imóveis e, com apenas uma das mãos, ele imobilizou meus braços com uma força sobre-humana. Gritei desesperado na esperança de que alguém pudesse me ouvir, mas era inútil, pois sabia que estava a quilômetros de distância de qualquer civilização.
“Acalma-te criança gritar, espernear, chamar teu Deus não o ajudará...estamos sozinhos aqui...”.
Nathaniel com sua única mão livre agarrou minha camisa e puxou-a com força até rasga-la completamente do meu corpo.
“O ... o que você vai fazer Nathaniel? Por favor Pare!!!” lágrimas de desespero começavam a rolar dos meus olhos quando ele amordaçava meus pulsos e pernas com as sobras da camisa. Em seguida, sua próxima ação foi a de me deixar completamente nu.
“Nathaniel...por favor!!! Me deixe em paz...o que você vai fazer comigo??? Nathaniel!!!!”
Uma das mãos gélidas de Nathaniel tocou minha face em uma caricia, senti meu corpo estremecer com aquele gesto. Soltei outro grito de desespero, porém meus gritos foram abafados quando meu senhor, aproximou seus lábios dos meus e me beijou.
Até hoje não sei como expressar os sentimentos confusos que vieram à tona, principalmente quando sua mão começava a deslizar acariciando meu corpo. Quando ela estava próxima da minha intimidade, comecei a me desesperar, mas antes que eu pudesse demonstrar qualquer reação senti Nathaniel morder meu tórax encravando seus dentes caninos em minha pele sugando lentamente meu sangue. Uma sensação imensa de prazer começou a tomar conta de mim, meus medos e anseios desapareceram lentamente, estava completamente entregue aqueles braços que agora me confortavam. Gemia! Gemia com muita intensidade, de uma maneira que nunca o fiz antes, aquela sensação era indescritível, algo nunca sentido ou presenciado, nem mesmo no amor ou no sexo. A medida que o tempo passava meus olhos iam se fechando lentamente, eu sabia que em poucos momentos, o anjo da morte me levaria para bem longe daquele lugar e eu já o esperava de braços abertos.
Perdido em um mundo dominado pelas trevas sem fim, senti algo que me impedia de seguir meu caminho, correntes de sangue prenderam meu corpo e começaram a aperta-lo com a força de sufocante de uma cobra. Eu tentava respirar, mas era como se eu não tivesse pulmões, minha voz era inútil naquela imensidão vazia.
Sentia minhas entranhas apertarem junto com meus ossos, meu sangue sendo forçado a sair pelos orifícios do meu corpo enquanto minha pele é rasgada de dentro pra fora, eu queria gritar, mas o que consegui ouvir foi apenas o som agonizante de um uivo. Não era um uivo de um lobo, era algo muito mais aterrorizante, algo que fugia da minha razão. Então foi naquele momento que eu a contemplei pela primeira vez. Ela estava ali parada diante de mim, apenas me observando com seus olhos famintos que transbordavam o mal em sua verdadeira forma. Eu o temi naquele exato momento, mas estava completamente imobilizado pelas correntes de sangue, ela vinha em minha direção lentamente, satisfeita por encontrar uma presa encurralada. Antes que eu pudesse fazer algo, ela pulou em cima de mim e começou a devorar meu espírito. A dor era terrível eu sabia que eu estava sendo obliterado, tentava lutar pela minha sobrevivência mas era tudo em vão, eu só conseguia ouvir o uivo da besta enquanto ela dilacerava minha carne e consumia minha essência.
De repente tudo acabou e eu vi minha face refletida na lua, a besta e eu éramos apenas um...gritei com todos os meus pulmões e...
Neste exato momento Nathaniel me afastou de seu pulso, havia sugado uma grande quantidade do seu sangue e ele me amaldiçoava enquanto lambia o ferimento aberto cicatrizando-o instantaneamente. Porém no final ele ajoelhou ao meu lado, cobriu meu corpo com um lençol e me abraçou:
“Seja Bem-Vindo ao mundo dos Imortais Daniel...”
“Não! Não mais Daniel...Daniel está morto...meu nome...meu nome é Dean Scott”
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